Já conheces o meu livro?

Newsletter

back to top

Os cabelos loiros que brilham mais do que o próprio sol. O olhar de um azul profundo que traz mar e sabedoria dentro. O silêncio que diz tudo sem precisar de usar quaisquer palavras. As conversas cúmplices que expõem a alma, e o que ela tem de mais complexo e profundo, e que surgem com uma naturalidade tão simples. Os problemas que, de repente, se simplificam. E os medos que logo deixam de ser medos porque se enchem de tanta coragem. A leveza nos pés que saltitam, dançantes, e as cantorias da alma mesmo nos dias de maior tempestade. A meninice. A genuinidade. A força. A determinação inabalável. A curiosidade. A essência de cuidar. O amor. A coragem para recomeçar e a doce rebeldia de ouvir o coração. Esse coração grande que sente (e pressente) tudo. Mãe.

Há momentos, na vida, que nos forçam a viver tudo e muito depressa. As mudanças — umas tão inesperadas e urgentes, outras tão profundas e dolorosas — obrigam-nos a estar em alerta constante. Somos invadidos por emoções intensas, que surgem em catadupa, e o coração parece explodir dentro do nosso peito. Mas não há tempo para respirar fundo. Não há sequer a possibilidade de um silêncio profundo para ficarmos, por um instante, a recarregar energias para o próximo embate — porque até os silêncios, por mais breves, têm dentro uma avalanche de pensamentos e de emoções que nos atordoa. Nesses momentos, é preciso deixar a vida acontecer. É preciso respirar fundo. É preciso aprender a ouvir o coração e, mesmo no caos, manter a calma. É preciso persistir — mesmo na dor. E é preciso acreditar que melhores dias virão. Porque vêm sempre. * É assim que nos tornamos mais fortes.

Gosto de comemorar datas. Sou das que as aponta no calendário do telemóvel para não as esquecer. É curioso porque sou péssima para decorar dias de aniversário. Mas há muito tempo que tenho esta mania: quando há uma data especial, onde tenha acontecido algo marcante na minha vida, algo que não quero esquecer, adiciono-a ao calendário. E coloco alertas — para todos os meses, ou todos os anos, fazer contas ao tempo e tirar cinco minutos do meu dia para me transpor para esse dia do passado e refletir sobre ele e sobre a importância que ele teve em mim e na minha vida. Há, precisamente, um ano decidi deixar de comer carne. De uma hora para a outra. Era dia 17 de abril. Era final da tarde, início da noite. E eu estava em casa. Há dias que andava a pedir a uma pessoa muito próxima, que é vegana e